Comunicado da Federação Distrital Guarda JS “Tratar da saúde à moda da AD”
“Tratar da saúde à moda da AD”
A saúde do Serviço Nacional de Saúde (SNS), foi um dos temas destaque da passada campanha legislativa, tendo tido
um enorme protagonismo no nosso distrito. As razões eram obvias, não estava a funcionar como todos desejaríamos
e somos testemunhas de que em todos os momentos de discussão sobre a região, preconizados pelo Partido Socialista
no distrito, este era um tema amplamente debatido, pela importância, complexidade e pelo impacto nas nossas vidas.
Por seu turno, a Aliança Democrática, com realce, para a sua cabeça de lista no distrito, em diferentes fóruns referiu
que, “estando tudo a correr mal”, a estrutura política que representava, detinha um programa de emergência que seria
a cura para todas as questões do SNS. Como? Nunca foi explicado.
Se esta é uma pasta que deveria merecer a maior atenção por parte do governo, a verdade é que com a tomada de
posse do governo da AD, temos assistido a acontecimentos surreais e preocupantes.
Em primeiro lugar, a demissão da Direção Executiva do SNS, a meio do seu trabalho que ia produzindo eficazmente os
seus frutos. Pedir um relatório de atividades à Direção Executiva pela comunicação social e criticar o seu trabalho,
exigir, a esta direção, um plano de verão que, afinal, era da competência da Direção Geral da Saúde e do Ministério da
Saúde e já estava elaborado, bem como a inflexibilidade e postura persecutória do governo sem procurar consensos
deixaram um vazio na governança do SNS.
Em segundo lugar, o ministério deixou de indicar online quais os serviços dos hospitais iriam encerrar, num autêntico
desprezo pela transparência da informação e da acessibilidade dos portugueses aos serviços de saúde. Não sendo isto
já suficiente, sabemos recentemente através do jornal Público que o gabinete da Sra. Ministra da Saúde “não quer
palavra “encerrado” à porta das urgências”.
Realçamos as palavras da Ministra Ana Paula Martins, de que as administrações hospitalares em Portugal são lideranças
fracas, o que já levou a que o conselho de administração do Hospital de Viseu se demitisse. Questionamo-nos: até
onde vai este desgoverno? Quando a própria Ordem dos Médicos e a Federação dos Médicos destacam a
desorganização do SNS e a falta de medidas para o setor, onde vai esta situação culminar?
Mesmo com as suas fragilidades, o SNS é a nossa maior conquista coletiva. Se é verdade que ao longo dos últimos anos
houve dos maiores investimentos de sempre no SNS, se é verdade que aumentámos o número de médicos,
aumentámos o número de consultas, modernizámos as infraestruturas e os equipamentos, também é verdade que os
cuidados de qualidade prestados à generalidade da população pelo SNS se traduzem numa população com esperança
média de vida cada vez maior e, por consequência, envelhecida, o que resulta numa maior necessidade de acesso a
estes serviços. Que tipo de soluções podemos esperar desta Ministra que, já enquanto Diretora do Hospital de Santa
Maria, decidiu, contra o apelo dos médicos que faziam parte deste serviço, encerrar durante o verão o bloco de partos,
encaminhando grávidas para o privado e levando a alguns destes especialistas a abandonar o SNS e a ir trabalhar para
o privado? Este não é o caminho! É, mais que nunca, necessário investir no SNS, limar as arestas e construir uma
resposta robusta que seja justa, eficaz e de qualidade para todos.
Notamos um silêncio ensurdecedor dos deputados da AD e do Chega eleitos pelo distrito a este respeito, sem
procurarem em algum momento defender os interesses da região no setor da saúde. Se, pelo menos isto, ajudar a
avivar memórias, deixamos a questão: Então, o tal plano de emergência? O que antes era um problema a tratar a ritmo
de emergência, passou a ser uma simples questão de herança do anterior governo? Provavelmente, os eleitores que
confiaram nestes partidos também quererão saber.





