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Liturgia do 5ºdomingo da Quaresma- ano B

O texto evangélico deste domingo situa-se no final da vida de Jesus, revelando momentos de tensão, dentro ou nas redondezas do Templo de Jerusalém, especialmente depois da entrada triunfal de Jesus na cidade com as violentas abordagens dos sacerdotes, dos escribas e dos fariseus. Alguns gregos chegavam a Jerusalém para adorar a Deus no templo, como fazia um bom judeu. Todavia, também procuravam Jesus, não só para O ver, satisfazendo a sua curiosidade, mas também para O ouvir, para conversarem com Ele. Já tinham dado conta que, a partir de agora, era em Jesus que se encontravam com Deus; já não era no Templo, mas na proximidade do seu Filho. Às portas da paixão, Jesus revela o que é mais importante na vida. Dias antes de Lhe tirarem a vida na cruz, Jesus diz-nos onde se encontra realmente a vida, aquela que não morre. Numa aparente contradição revela-nos um segredo muito importante: a vida mais importante é a vida entregue aos outros, perdida e gasta aos olhos de muitas pessoas: a vida de uma mãe que se desgasta pelo seu filho, a vida daquele que dedica algum tempo a visitar doentes ou pessoas abandonadas…São todas estas vidas doadas aos outros que são fecundas, que dão fruto.

Uma vida doada é a única que dá luz, fazendo que as trevas da pobreza, da solidão, da injustiça, do racismo, da exclusão social, do egoísmo, da violência, sejam eliminadas pela luz da solidariedade, da liberdade, da igualdade, da justiça, do amor e da paz. Este não é o discurso que está na moda na sociedade de hoje. Os tempos difíceis que atravessamos fazem-nos concluir que o discurso de Jesus continua actual e deve ser ouvido e tido em consideração nos nossos dias. Todos devemos ouvir o discurso de Jesus, nomeadamente aqueles que querem obter lucros excessivos, só pensando em si mesmos e esquecendo o mal que podem fazer aos outros, como o consumo exagerado, o convite a uma vida com excessos, o encerrar de fábricas sem querer saber dos trabalhadores ou dos jovens que desesperadamente procuram o seu primeiro emprego, gerando situações de pobreza e de desespero. Como é que Jesus nos convida a viver? Seguindo as Suas palavras, não procuremos o benefício egoísta, não promovamos o “salve-se quem puder”, mas procuremos ir ao encontro dos outros, servindo os outros, sendo solidários, fomentando a partilha, ou seja, sendo luz nas trevas deste mundo. No decorrer da História, as vidas dos santos confirmam que tudo isto não é utopia, um sonho, mas é possível. Desde aquele que gastou a sua vida pelas crianças que não tinham escola, daquela que gastou a sua vida recolhendo moribundos e leprosos das ruas…muitos santos são modelos de uma vida entregue, doada, de grão de trigo que cai à terra para dar muito fruto.

A primeira leitura deste Domingo diz-nos que Deus colocou no nosso coração a lei que descobrimos em e por Jesus. Basta somente deixarmo-nos guiar por este coração, como Jesus se deixou guiar pelo seu coração, um coração aberto totalmente à vontade do Pai. Neste tempo da Quaresma somos convidados a deixarmo-nos tocar por tantas palavras, por tantos eventos que nos rodeiam, através dos quais Deus fala-nos e lança-nos o convite à mudança, à conversão. Preparemos a celebração da Páscoa com um coração mais generoso, um coração repleto de vontade para dar vida, uma vida plena de frutos de amor.

Elo de Comunhão 21-03-2021

LEITURA ESPIRITUAL

A vossa fé reconhece quem é este grão de trigo que cai à terra e que morre antes de dar muito fruto; Ele habita na vossa alma; nenhum cristão duvida de que Cristo falava de Si mesmo. Escutai-me, grãos de trigo sagrados que aqui vos encontrais, ou melhor, escutai através de mim o primeiro grão de trigo, que nos diz: não ameis a vossa vida neste mundo; não a ameis se verdadeiramente a amais, pois é não a amando que a salvareis. «Quem ama a sua vida, perdê-la-á».

Quem assim fala é o grão lançado à terra, Aquele que morreu para dar muito fruto. Escutai-O, porque Ele faz aquilo que diz. Ele instrui-nos e mostra-nos o caminho com o seu exemplo. Com efeito, Cristo não reivindicou a sua vida neste mundo, mas veio para perdê-la, para entregá-la por nós, e para retomá-la quando quis: «Ninguém ma tira, mas sou Eu que a ofereço livremente. Tenho poder de a oferecer e poder de a retomar» (Jo 10,18).

Mas, se tinha esse poder divino, porque foi que disse: «Agora a minha alma está perturbada»? Como se explica que, detendo tal poder, este homem-Deus Se tenha perturbado, a não ser porque carrega a imagem da nossa fraqueza? Quando afirma: «Tenho poder de a oferecer e poder de a retomar», Cristo mostra-Se tal como é em Si mesmo. Quando Se mostra perturbado com a aproximação da morte, mostra-Se tal como é em ti. (Santo Agostinho, 354-430, bispo de Hipona, norte de África, doutor da Igreja, Sermão 305, 4.º para a festa de S. Lourenço).

http://www.liturgia.diocesedeviseu.pt/

 

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