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Liturgia do Domingo XIV do Tempo Comum – ano C

Nos tempos que correm, andamos muito preocupados, porque não conseguimos transmitir a fé às novas gerações. Durante séculos, quase que nem era preciso fazer nada de extraordinário, pois a transmissão da fé acontecia regularmente. A fé estava presente na vida social e familiar como o ar que respiramos. Se alguém se declarasse não-crente era uma excepção e, por vezes, um escândalo.

Começamos a dar conta que, nos dias de hoje, ao assumirmos que somos discípulos de Jesus, temos de cultivar muito a dimensão missionária. Não podemos deixar de dar testemunho do Evangelho que recebemos, do estilo de vida que nos foi concedido. O problema é que não sabemos como fazer. Por isso, é muito importante darmos atenção aos conselhos que Jesus deu àqueles setenta e dois discípulos que iniciavam a sua missão missionária.

Em primeiro lugar, é necessário salientar que é Jesus que os escolhe e os envia. Não pergunta se há alguém com vontade de O seguir. É uma missão confiada por Jesus, à qual não podemos ficar indiferentes e sem dar resposta. Ele enviou-os dois a dois. Talvez para que nenhum se sinta proprietário do Evangelho, a título pessoal, ou para evitar que a Boa Nova fique confundida com as opiniões e crenças particulares. Mas, de certeza, teve como finalidade deixar bem claro que não podemos comunicar que Deus é Pai se não vivermos de maneira concreta a fraternidade entre todos.

Jesus alerta-nos para as dificuldades que encontraremos. Por isso, não podemos perder tempo a saudar alguém pelo caminho. E nós que fazemos? Colocamos sempre tantas desculpas, porque temos de fazer tantas coisas antes de sair…dizemos que gerir a vida de todos os dias já nos absorve e que não nos fica muito tempo para outras coisas. Podemos imaginar o que Jesus nos responderia! Não só paramos para saudar, mas muitas vezes discutimos com os que não têm a nossa opinião! Pois é! As boas notícias não se podem comunicar com má cara.

Dito isto, de certeza que estamos a pensar numa campanha porta a porta, como fazem algumas confissões religiosas. Mas Jesus disse-nos que não andemos de casa em casa. Prefere a estabilidade num local onde sejamos acolhidos. A evangelização não requer pressas, porque supõe encarnar o lugar onde estamos presentes. É necessário conhecer e amar as pessoas e os seus costumes, travar amizades e descobrir as sementes do Reino que foram semeadas, porque, certamente, o Espírito de Deus trabalhou aquela terra muito antes de lá chegarmos.

Apesar das dificuldades da missão e das condições impostas por Jesus, os setenta e dois discípulos regressaram felizes da missão. Tinha sido um êxito. Até os demónios obedeciam! Sabemos que nos primeiros séculos do Cristianismo, a fé estendeu-se rapidamente. Como? Os gentios valorizavam duas coisas nos primeiros cristãos: a solidariedade e a honestidade de vida. Viviam como irmãos, partilhavam o que tinham e procuravam que não houvesse entre eles algum indigente. Eram reconhecidos como aqueles que não abandonavam os filhos, que não repudiavam as mulheres, que não assistiam a espectáculos imorais e que se comportavam sempre de maneira digna e humanitária. O Cristianismo propagou-se sobretudo nas pessoas de baixo escalão social: as mulheres de qualquer classe social, as crianças e os escravos. O santoral dos primeiros séculos comprova esta afirmação. Ouve-se, assíduas vezes, que é necessário ir às periferias. Sim, é necessário voltar às periferias, porque foi nas periferias que o Cristianismo se foi espalhando.

Nós somos como aqueles setenta e dois discípulos missionários. Quando termina a missa, ouvimos sempre: “Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe”. Estamos a ser enviados para levar a paz ao mundo, a paz que recebemos do Senhor. E quando voltarmos para a próxima celebração deveremos regressar com alegria no coração ao sentir que o Senhor se serve da nossa simplicidade para espalhar a alegria do Evangelho.

 

03-07-2022

LEITURA ESPIRITUAL

«O Senhor enviou-os dois a dois à sua frente, a todas as cidades e lugares aonde Ele havia de ir»

 

Possuído da graça do Espírito Santo, São Francisco disse aos irmãos o que lhes ia acontecer. Reunindo os seis irmãos num bosque contíguo à igreja de Santa Maria da Porciúncula, aonde iam com frequência orar, disse-lhes: «Consideremos irmãos caríssimos, a nossa vocação, porque Deus, na sua misericórdia, não nos chamou só para benefício nosso, mas também para proveito e até salvação de muitos. Vamos, pois, pelo mundo, exortando e ensinando os homens e as mulheres com a nossa palavra e o nosso exemplo, a fim de que façam penitência dos seus pecados e tragam à lembrança os mandamentos, que tanto tempo andaram esquecidos». E acrescentou: «Não temais, pequeno rebanho (Lc 12,32), tende confiança no Senhor. Não digais entre vós: “Como é que vamos pregar se somos ignorantes e iletrados?” Recordai-vos das palavras que o Senhor dirigiu aos seus discípulos: “Não sereis vós a falar, mas o espírito do vosso Pai é quem falará por vós”. O mesmo Senhor vos dará o seu Espírito e sabedoria para exortar e pregar aos homens e mulheres o caminho e a prática dos seus mandamentos». (Vida de São Francisco de Assis, chamada «Anónimo de Perugia», século XIII, Fontes Franciscanas I).

 

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