Início » Aguiar da Beira » Liturgia do VI Domingo de PÁSCOA – ano C

Liturgia do VI Domingo de PÁSCOA – ano C

 

Todos os ensinamentos de Jesus resumem-se nisto: Deus ama-nos, ama-nos com o amor de um pai ou de uma mãe; ama-nos não em resposta ao nosso amor, mas desde sempre. É como o amor da mãe e do pai para com o seu filho que acaba de nascer, um amor que não impõe condições prévias, que ama antes que o filho tenha capacidade de amar. A imagem do pai e da mãe é excelente para compreender o amor que Deus tem por nós. O pai e a mãe são instrumentos privilegiados de Deus para nos amar. O amor paterno e materno é o primeiro que um ser humano descobre na sua vida. Por isso são tão traumáticas todas as situações em que este amor falta, situações que, infelizmente, não são assim tão raras. Amar Jesus, como nos diz o Evangelho, é dar atenção a tudo o que Ele nos disse. Amar Jesus não é uma acção intimista para com Ele. Amar Jesus é amar como Jesus. Amar Jesus é deixar-se conduzir pelo seu Espírito que nos ajuda a actualizar o amor de Jesus em todos os momentos da nossa vida.

O Espírito motiva-nos a amar. O Espírito de Deus actua todas as vezes que amamos e em todas as vezes que somos amados. Por isso, é um Espírito que não se deixa fechar em seitas, em orações com palavras ou gestos duvidosos, em momentos de histeria, em ideologias, nem em igrejas. Ninguém se pode apropriar do Amor porque todos são capazes de amar. Não pode ser uma marca registada por ninguém, ninguém tem direitos sobre ele, nem os cristãos. É evidente que o Amor é central no Evangelho, mas não é para fazermos dele um estandarte, mas para que o vivamos com todo o homem e com toda a mulher que estejam disponíveis a amar, sejam quais forem as suas crenças e filosofias de vida. Amar não é só com palavras, ou com frases feitas que sempre ficam bem nos discursos, mas com acções concretas, como dar casa, escola, trabalho, descanso. Não é somente com a palavra “Deus” na boca que se ama, é também estender as mãos, imitando o Filho de Deus. Amar é cuidar das pessoas, mas também de tudo o que nos rodeia, respeitando a natureza, a limpeza, não fazendo acções que perturbem o bem-estar e a segurança dos outros.

Amar como Jesus gera paz. O Espírito de Deus envia-nos ao mundo para sermos instrumentos de paz, da paz que Jesus nos dá e que está fundamentada não na ausência de guerras, mas na justiça e na solidariedade. A justiça é tão urgente nos nossos dias em que as desigualdades aumentam cada vez mais, ricos cada vez mais ricos e pobres cada vez mais pobres. A solidariedade é essencial na construção da paz, ajudando-nos a renunciar a alguns dos nossos privilégios para o bem de todos. Não haverá paz verdadeira enquanto não houver uma casa digna para todos, alimento para todos, acesso à educação e à saúde para todos. A paz que Jesus nos deixa é um compromisso exigente para todos, especialmente para aqueles que se dizem seus discípulos. Não estamos órfãos; seremos sempre e apenas meros canais e instrumentos dos quais o Senhor Se serve para tornar possível a missão confiada por Si mesmo à Igreja.

Quando celebramos a Eucaristia, partimos o pão para todos. Alimentados pelo pão descido do céu e pela Palavra de Deus, sejamos instrumentos da paz, da justiça e da solidariedade para connosco, para com os nossos irmãos e para com a natureza.

 

22-05-2022

LEITURA ESPIRITUAL

«O Paráclito vos recordará tudo o que Eu vos disse»

Cristo, que tinha entregado o espírito na Cruz (Jo 19,30) como Filho do Homem e Cordeiro de Deus, uma vez ressuscitado, vai ter com os Apóstolos para soprar sobre eles (Jo 20,22). A vinda do Senhor enche de alegria os presentes: a sua tristeza converte-se em alegria (Jo 16,20), como Ele já lhes tinha prometido antes da sua Paixão. E sobretudo, verifica-se o anúncio principal do discurso de despedida: Cristo ressuscitado, como que dando início a uma nova criação, «traz» aos Apóstolos o Espírito Santo. Trá-lO à custa da sua «partida»; dá-lhes o Espírito como que através das feridas da sua crucifixão: «mostrou-lhes as mãos e o lado» (Jo 20,20).

É em virtude da mesma crucifixão que Ele lhes diz: «Recebei o Espírito Santo» (v. 22). Estabelece-se assim uma íntima ligação entre o envio do Filho e o do Espírito Santo. Não existe envio do Espírito Santo (depois do pecado original) sem a Cruz e a ressurreição: «Se Eu não for, não virá a vós o Consolador» (Jo 16,7). Estabelece-se também uma íntima ligação entre a missão do Espírito Santo e a missão do Filho na redenção.

Esta missão do Filho, num certo sentido, tem o seu «cumprimento» na redenção. A missão do Espírito Santo vai haurir algo da redenção: «Ele receberá do que é meu para vo-lo anunciar» (Jo 16,15). A redenção é totalmente operada pelo Filho, como Ungido que veio e agiu com o poder do Espírito Santo, oferecendo-Se por fim em sacrifício supremo no madeiro da Cruz. E esta redenção é, ao mesmo tempo, constantemente operada nos corações e nas consciências humanas — na história do mundo — pelo Espírito Santo, que é o «outro Consolador» (Jo 14,16). (São João Paulo II, 1920-2005, Encíclica «Dominum et vivificatem», 24).

 

http://www.liturgia.diocesedeviseu.pt/

Publicidade...