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Liturgia do VII Domingo de Páscoa- Ascensão do Senhor- ano C

Liturgia do VII Domingo de Páscoa- Ascensão do Senhor- ano C

z-igreja-AB-300x200 Liturgia do VII Domingo de Páscoa- Ascensão do Senhor- ano CAs solenidades da Ascensão, Páscoa e Pentecostes são diferentes faces da experiência pascal. Podemos afirmar que desde a Páscoa até ao Pentecostes é um só dia de sete semanas, sete vezes sete, que é o sinal da plenitude para os judeus, sete semanas para celebrar a ressurreição de Jesus. Cada uma destas três solenidades, Páscoa, Ascensão e Pentecostes, mostram-nos a ressurreição de Jesus através de várias perspectivas. Cada uma destaca um aspecto diferente daquela experiência difícil de explicar que as primeiras testemunhas viveram.

O texto do evangelho deste Domingo narra-nos como Jesus se despediu dos discípulos. Pede-lhes acima de tudo que sejam testemunhas, não que sejam bispos, teólogos ou sábios. Pede-lhes que sejam testemunhas da experiência que viveram com Ele, testemunhas da sua vida e da sua morte. Este testemunho perpetuará a Boa Nova de Jesus no decorrer dos tempos. Um testemunho que, em primeiro lugar, tem de ser de vida, ou seja, encarnar e actualizar na própria vida a vida de Jesus. Talvez ainda andemos com testemunhos de demasiadas palavras e, quem sabe, de palavras que não são coerentes com as obras, como os fariseus! São testemunhos de vida que transmitem a experiência de um Deus bom e misericordioso, com uma vida de bondade e de misericórdia. Mas, onde vamos buscar a força e a luz quando a debilidade teima em vencer e quando andamos confusos, desorientados e inseguros? Ao nosso interior. É no mais íntimo de cada um, no nosso coração, que o Espírito de Jesus, o Espírito de Deus, quer habitar. É só preciso deixá-lo entrar. É o Espírito de amor que celebraremos no próximo Domingo com a solenidade do Pentecostes. É Ele que nos dá a força e a luz para sermos dignas testemunhas de Jesus.

Jesus sobe ao céu, erguendo as mãos e abençoando. Regressa ao Pai sem abandonar a humanidade, pedindo a cada um que seja testemunha desta bênção, que seja testemunha da bondade de Deus. É para este mundo tão cheio de maldade, de injustiça, de pobreza e de violência que somos enviados a ser arautos de esperança, não só para fora, mas também para dentro de cada um de nós. O mundo e a humanidade nunca estão perdidos para Deus, porque há uma multidão de corações de homens e de mulheres que diariamente praticam o bem.

Os discípulos viveram com Jesus e, agora, tiveram de aprender a viver na sua ausência. Tornaram Jesus presente, através das suas palavras e das suas obras, tentando incarnar a Boa Nova da Salvação. Esta é também a nossa missão. Experimentar Jesus, aproximar-nos de Jesus através das circunstâncias da vida. É uma missão difícil, mas não impossível, com muitas dúvidas e fraquezas, mas é sempre um caminho em frente, sem parar, sem ficar agarrado ao passado e às fragilidades. Como se faz isto? Põe-te ao lado dos homens e mulheres que se cruzam contigo no caminho da vida, dá as tuas mãos, trabalha para fazer crescer a fraternidade, para construir uma sociedade mais acolhedora e justa, em que sejamos capazes, como os discípulos de Emaús, de dizer aos homens, mulheres, crianças, jovens e velhos que fogem dos infernos da guerra e da pobreza: “Fica connosco; ficai connosco”. Não percas tempo a olhar para o céu, mas olha para todos os homens e mulheres que esperam gestos de bondade, carinho, paz e amor. Assim encontrarás bem perto de ti Jesus ressuscitado que subiu ao céu.

LEITURA ESPIRITUAL

Que o amor nos atraia a segui-lo

«O Senhor Jesus, depois de lhes ter falado, foi elevado ao céu e sentou-Se à direita de Deus» (Mc 16,19). Partia assim para o lugar de onde era, regressava de um lugar onde continuava a permanecer; com efeito, no momento em que subia ao céu com a sua humanidade, unia pela sua divindade o Céu e a Terra. O que temos de destacar na solenidade de hoje, irmãos bem amados, é a supressão do decreto que nos condenava e do julgamento que nos votava à corrupção.

Na verdade, a natureza humana a quem se dirigem estas palavras: «Tu és terra e regressarás à terra» (Gn 3,19), essa natureza subiu hoje ao Céu com Cristo. É por isso, caríssimos irmãos, que temos de segui-l’O com todo o nosso coração, até ao lugar onde sabemos pela fé que Ele subiu com o seu corpo. Fujamos dos desejos da Terra: que nenhum dos lugares cá de baixo nos entrave, a nós que temos um Pai nos céus.

Pensemos também que aquele que subiu aos céus cheio de suavidade regressará com exigências. Eis, meus irmãos, o que deve guiar a vossa acção; pensai nisso continuamente. Mesmo que estejais presos na confusão dos assuntos deste mundo, lançai desde hoje a âncora da esperança para a pátria eterna (Hb 6,19). Que a vossa alma procure apenas a verdadeira luz.

Acabamos de ouvir que o Senhor subiu ao céu; pensemos seriamente naquilo em que acreditamos. Apesar das fraquezas da natureza humana, que nos retém ainda cá em baixo, que o amor nos atraia a segui-lo, porque estamos certos de que aquele que nos inspirou este desejo, Jesus Cristo, não nos decepcionará na nossa esperança. (São Gregório Magno, c. 540-604, papa, doutor da Igreja, Homilias sobre os Evangelhos, n.º 29)

http://www.liturgia.diocesedeviseu.pt/

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