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Liturgia do XX Domingo do TEMPO COMUM – ano C

 

Há um ditado popular que diz: “Dizem-se as verdades, perdem-se as amizades”. É tentador, é mais cómodo, não dizer nada, calar e não ficar mal visto ou deixar correr! Teremos sempre amigos, convites, sorrisos… mas tudo falso. Desta maneira, a vida, que já é bem complicada, até seria mais tranquila. Mas as leituras da Palavra de Deus deste domingo dizem o contrário: é necessário ser genuíno, dizer sim quando é sim e dizer não quando é não; dizer a verdade, ainda que traga o desprezo, a perseguição, a indiferença, etc. É isto que nos quer dizer Jesus no Evangelho com as palavras surpreendentes de querer incendiar a terra. Certamente que Jesus não é um pirómano, mas o fogo que nos fala é do Espírito Santo, o Espírito da Verdade, que deve reinar na nossa vida. Jesus não quer que nos alegremos e apoiemos a hipocrisia ou a banalidade, mas que sejamos verdadeiros, valentes, sinceros, ainda que isto nos traga problemas. Em Jesus, cumpriu-se a profecia que Simeão fez a Maria de Nazaré e a S. José quando foram apresentar o Menino Jesus no Templo: Jesus seria sinal de contradição. Por isso, Jesus viveu até ao fim pelas suas palavras e acções, sofrendo a morte numa cruz. A segunda leitura recorda-nos isto mesmo.

É verdade que não gostamos de sofrer e que preferimos viver a vida com calma, com poucos compromissos, mas no fim dos nossos dias apresentar-nos-emos diante de Deus de mãos vazias ou cheias, tendo em conta o trabalho que fizemos para que a Boa Nova tivesse chegado a muitas pessoas, a colaboração que demos para que Deus fosse mais conhecido e amado, amando os irmãos, espalhando a paz, sendo misericordiosos, etc. Nas nossas mãos temos a chave para decidirmos o caminho que queremos percorrer. Na primeira leitura, Jeremias foi maltratado e colocado numa cisterna, porque incomodava, porque era fiel a Deus, porque dizia a verdade. Também ele foi perseguido. Nos nossos dias, também há irmãos nossos que são perseguidos porque professam a fé cristã em ambientes nada favoráveis. Eles não querem ficar bem vistos, mas querem continuar a ser fiéis a Deus, que lhes dará a recompensa. Também eles recebem o baptismo de sangue.

Em momentos de dor e de dificuldade, temos a tentação de dizer: “Rezo a Deus, mas Ele não me ouve”. Bem, Ele responde, só que há um problema: o nosso relógio pode não estar sincronizado com o relógio de Deus; Ele tem o seu tempo, mas, na verdade, Ele nunca abandona nenhum dos seus filhos e das suas filhas. Confiemos na Providência de Deus. Continuemos a fazer os nossos pedidos e peçamos-lhe ajuda para as dificuldades. Não tenhamos medo, porque Ele sofreu a morte, mas triunfou neste mundo. Não esqueçamos as palavras do Salmo deste domingo: “Ouviu o meu clamor e retirou-me do abismo e do lamaçal, assentou os meus pés na rocha e firmou os meus passos”. Nunca duvidemos que o Senhor esteve, está e estará sempre connosco em todos os dias da nossa vida.

 

14-08-2022

LEITURA ESPIRITUAL

Acender no coração dos homens o fogo do amor de Deus

 

«Eu vim trazer o fogo à terra»: desci do alto dos céus e, pelo mistério da minha encarnação, manifestei-Me aos homens para acender no coração humano o fogo do amor divino. «E que quero Eu senão que ele se acenda?» – isto é, que pegue e se torne uma chama activada pelo Espírito Santo, que faça brilhar actos de bondade!

Cristo anuncia a seguir que terá de morrer na cruz para que o fogo deste amor incendeie a humanidade. Foi, efectivamente, a santíssima Paixão de Cristo que valeu à humanidade dom tão grande, e é sobretudo a memória da sua Paixão que acende uma chama nos corações fiéis. «Tenho de receber um baptismo»; ou seja: compete-Me e está-Me reservado, por especial disposição de Deus, receber um baptismo de sangue, banhar-Me e como que mergulhar nas águas do meu sangue derramado na cruz, a fim de resgatar o mundo inteiro. «E estou ansioso até que ele se realize» – por outras palavras, até que a minha Paixão seja completa, e que Eu possa dizer: «Tudo está consumado!» (Jo 19,30). (Dionísio o Cartuxo, 1402-1471, monge, Comentário ao Evangelho de Lucas, 12, 72-74).

 

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