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Liturgia do XXVI Domingo do TEMPO COMUM – ano C

Liturgia do XXVI Domingo do TEMPO COMUM – ano C

 

z-igreja-AB-300x200 Liturgia do XXVI Domingo do TEMPO COMUM – ano CNa segunda leitura deste Domingo, São Paulo exorta Timóteo a praticar a justiça, a piedade, a fé e a caridade, a perseverança e a mansidão, lutando no bom combate da fé para, assim, alcançar a vida eterna. Parece ser um conselho normal, mas nem sempre é fácil viver desta forma, sobretudo numa sociedade individualista, competitiva, na qual a preocupação pelos outros é vista, por vezes, como um peso, um “extra”, um incómodo. Para os cristãos, não deve ser assim: é praticando o conselho de São Paulo que nos aproximamos de Deus e cultivamos a coerência entre a fé e as nossas obras.

Na verdade, reconhecemos que nem sempre vivemos segundo a exortação de São Paulo a Timóteo. O texto do evangelho deste Domingo é uma prova disso mesmo. Um pobre, chamado Lázaro, e um homem rico que se “vestia de púrpura e de linho fino e se banqueteava esplendidamente todos os dias”, ou seja, que tinha uma vida de boémia e regalada, de tal forma que não dava conta que tinha um pobre à porta da sua casa, “coberto de chagas”. Mas a lei da vida é igual para ambos; ao chegar o fim dos seus dias, os dois morreram. E agora a situação muda radicalmente: o pobre Lázaro está no céu e o rico está na “mansão dos mortos”, atormentado pelas chamas. Agora, o rico pede ajuda, porque está em dificuldades, esquecendo-se que nunca tinha ajudado os outros quando clamavam por socorro. Com palavras duras, parece que Abraão não atende os pedidos do homem rico. Mas a mensagem que se quer transmitir é que devemos ser solidários uns com os outros para que, no final da nossa vida, nos apresentemos diante de Deus Pai com as nossas mãos cheias de boas obras. Em resumo, mais uma vez, somos convidados a viver, fazendo o bem, a ajudar os nossos irmãos e a não sermos egoístas.

Assim, qual é o desafio sempre presente na vida de um cristão? Ter sempre os olhos abertos às necessidades dos nossos irmãos. Não consiste somente em dar dinheiro, comida ou outros bens, mas também dar do nosso tempo, dar uma palavra amável oportuna, visitar os doentes, os idosos, os que vivem na solidão, os abandonados e esquecidos pelos seus familiares. Não podemos fechar os olhos perante tantas necessidades. “Quando um homem despreza tudo o que pode alimentar o seu orgulho é um pobre diante de Deus, e Deus escuta-o porque conhece o tormento do seu coração” (Santo Agostinho). “Desejas honrar o Corpo de Cristo? Não o desprezes quando o contemplas nu nos pobres, nem o honres aqui no templo com lenços de seda, se ao sair o abandonas ao frio e na sua nudez. Deus não precisa de cálices de outo, mas de almas semelhantes ao ouro. Com umas correntes de prata prendes as lâmpadas, mas recusas-te a visitá-Lo na prisão. Por isso, ao adornar o templo, procura não desprezar o irmão necessitado” (São João Crisóstomo)

Que lições podemos tirar da parábola do evangelho?

1) A vida humana não se reduz ao que se possui nem a um mero bem-estar comodista;

2) A comunhão com Deus não pode abdicar da atenção ao próximo;

3) não há salvação sem escuta da Palavra de Deus. Não são precisos outros sinais e outras palavras: basta esta!

Neste Domingo, peçamos ao Senhor que nos ilumine e nos dê forças para lutar sem desfalecer no nobre combate da fé para ganharmos a vida e, quando o Senhor nos chamar um dia à sua presença, tenhamos um descanso eterno como o pobre Lázaro.

 

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LEITURA ESPIRITUAL

«Deus olha para o coração» (1Sam 16,7)

 

Terá o pobre sido recebido pelos anjos unicamente devido à sua pobreza? E terá o rico sido enviado para o lugar dos tormentos apenas pela sua riqueza? Não. No caso do pobre, o prémio foi para a humildade, e no caso do rico, a condenação foi para o orgulho.

Eis a prova de que não foi a riqueza, mas o orgulho que levou a que o rico fosse castigado. O pobre foi levado para o seio de Abraão; ora, as Escrituras dizem de Abraão que ele tinha muito ouro e prata e que era rico na Terra (Gn 13,2). Mas, se todos os ricos são enviados para o lugar dos tormentos, como pôde Abraão receber o pobre no seu seio? Acontece que Abraão, com toda a sua fortuna, era pobre, humilde, respeitador e obediente às ordens de Deus. Ele tinha as suas riquezas em tão pouca conta que, quando Deus lho pediu, aceitou oferecer em sacrifício o filho a quem as destinava (Gn 22,4).

Aprendei, pois, a ser pobres e a ter necessidades, quer possuais alguma coisa neste mundo, quer não possuais nada. Porque há mendigos cheios de orgulho e ricos que confessam os seus pecados. «Deus resiste aos orgulhosos», estejam eles cobertos de seda ou de trapos, «mas dá a sua graça aos humildes» (Tg 4,6), quer eles possuam, ou não, bens deste mundo. Deus olha para o interior; é aí que avalia, é aí que examina. (Santo Agostinho, 354-430, bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja, Discursos sobre os salmos, Sl 85).