Artigo de opinião —“Estudei no interior e fui feliz”
O nosso percurso académico tem de deixar de ser uma obrigação mas sim um desejo, somos sempre abordado por esta questão, “onde estudas ou onde estudaste?”, quando digo que estudei no Instituto Politécnico da Guarda sou “Alvo” de olhares de estranheza e palavras como “uma cidade sem vida académica”. Sem desvalorizar as grandes cidades académicas que aprecio, declaro neste artigo o meu amor por este Instituto, o Campus mais lindo de Portugal, plantado no meio das montanhas, o responsável pelos melhores 5 anos da minha vida até ao momento. Estudar no IPG foi a minha primeira opção, o curso era aquilo que eu queria, tenho empresas que empregam no meu distrito nessa área, teria eu a necessidade de me deslocar do meu distrito para fazer o que quero? Sou esse sortudo, formei-me com dois cursos na área digital “a jogar em casa”, no meu distrito, mas mais do que demonstrar esta sorte, serve este artigo também de homenagem às gentes da Guarda, os meus colegas e amigos que fui fazendo, ao pessoal docente e não docente, comerciantes que te tratam pelo nome e questionam porque não estiveste no seu estabelecimento ontem, uma sensação única. Podia fazer um relatório extenso sobre as maravilhas da Guarda, até do ar poderia falar, mas é com este amor que me preocupo também, estamos a perder alunos, e sem alunos não há esse espirito académico que mantém viva a força dos estudantes da Cidade dos 5 F´s, perde-se alunos, perde-se pessoas, perde-se negócios. Lembro-me de algo que gostava muito de fazer, que era ir ao Cinema no centro comercial La Vie, esse cinema hoje em dia está fechado, já nos tempos que estudava na Guarda, eram raras as sessões onde não estava sozinho. Quando os alunos partem, ou deixam de chegar, a cidade encolhe à sua volta, primeiro fecha um café, depois fecha uma sala de cinema, depois deixa de fazer sentido abrir um negócio novo. Cada porta que se fecha é uma desculpa a menos para ficar e uma memória que deixa de poder ser criada por quem vier a seguir. E quem vem a seguir precisa de ter um local que esteja vivo, uma academia ativa, não se pede grandes organizações festivas, sabemos das dificuldades, mas pede-se que se cuide daquilo que ainda temos, a serenata, os convívios, as palestras, a
própria semana académica que esteve em risco mas felizmente realizou-se. Pede-se que se invista no que faz a diferença, razões para ficar, razões para voltar, razões para escolher a Guarda, e o IPG afirmar-se como um transformador de pessoas e um dinamizador do nosso distrito. Por fim aos alunos do IPG, orgulhem-se, não são alunos de uma cidade sem vida académica, são alunos da Cidade dos 5 F’s, forte pelo seu castelo e muralhas, Farta pelas suas terras, Fria pelo clima de altitude, Fiel pela sua história, Formosa pela sua beleza. São alunos da terra da Copituna e da Egitúnica, que com as suas baladas fazem-nos abraçar em torno de uma só paixão. Não deixem alguém que nunca a viveu, dizer-vos o que é a Guarda. Porque uma cidade não se mede pelo que tem de maior, mas pelo que deixa em quem por ela passa. E a Guarda, a mim, deixou-me tudo.
Alexandre Alvo
Eterno Estudante do Instituto Politécnico da Guarda





