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“ISCTE – O terceiro setor trabalha melhor quando funciona ligado à investigação académica”

“ISCTE – O terceiro setor trabalha melhor quando funciona ligado à investigação académica”

As organizações não governamentais (ONG) e as fundações dedicadas à filantropia e ao voluntariado apoiam melhor os grupos para os quais trabalham quando as suas intervenções são baseadas na investigação e no
debate académico. Este será um dos temas da 17.ª Conferência da ISTR – Sociedade Internacional para a Investigação no Terceiro Setor, em Lisboa: de 14 a 17 de julho, mais de 700 especialistas em apoio social e humanitário
de cerca de 70 países vão discutir no Iscte a forma como a academia e a ciência contribuem para as ONG e o terceiro setor tornarem o mundo melhor .
“As organizações do terceiro setor apostam na investigação social desenvolvida em colaboração com universidades para garantir uma base de informação de qualidade”, afirma Raquel Rego, professora de Sociologia e investigadora do Iscte, membro da comissão organizadora da conferência da ISTR. “Num contexto marcado por múltiplas crises, esta
conferência em Lisboa vai proporcionar a exploração de uma colaboração estreita entre a investigação académica e as organizações do terceiro setor”.
Entre os oradores internacionais que vão intervir encontram-se referências mundiais da investigação sobre o terceiro setor como Susan Phillips, da Universidade de Carleton, no Canadá, especialista em filantropia, setor sem fins lucrativos e políticas públicas. Amir Pasic, diretor da Lilly Family School of Philanthropy da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos da América, uma das grandes escolas internacionais dedicadas ao estudo da filantropia, também irá intervir nas sessões da conferência no Iscte.
Georg von Schnurbein, da Universidade de Basileia, na Suíça, será outra referência na investigação internacional sobre fundações e filantropia a defender em Lisboa os benefícios da colaboração entre a comunidade
científica e quem apoia as pessoas no terreno.
A conferência irá debater os desafios atuais e futuros das organizações sem fins lucrativos, tendo como mote: “Imaginando a próxima geração: reforçar os alicerces do terceiro setor”. Promovida pela ISTR, a principal
rede global de investigação sobre o terceiro setor, a conferência conta com mesas redondas, sessões plenárias e apresentação de casos de estudo.
Criada em 1990, a ISTR edita a prestigiada revista científica “Voluntas” e reúne investigadores de todo o mundo que produzem conhecimento utilizado por governos, organizações internacionais e institutos nacionais de estatística. Em Portugal, a conferência conta com o alto patrocínio do Presidente da República, António José Seguro. Três
sessões serão dedicadas exclusivamente ao contexto nacional português e terão lugar no Edifício 2 do Iscte nos dias 14, 15 e 17 de julho.

O contributo das ONG para desenvolver Portugal
“Portugal é reconhecido como um exemplo relevante da evolução do terceiro setor no período democrático, reunindo experiências significativas de inovação social”, afirma Raquel Rego. “Contudo, enfrenta desafios persistentes, nomeadamente uma das mais baixas taxas de voluntariado formal da Europa”.
Raquel Rego sublinha que grande parte da participação cívica e da solidariedade no país ocorre fora das estatísticas oficiais, através de redes de entreajuda familiar e de vizinhança ou mobilização comunitária. “Este fator
reforça a importância de compreendermos melhor o contributo da sociedade civil para o desenvolvimento do país”, afirma a investigadora do Iscte.
A pré-conferência decorre de 10 a 13 de julho, com reuniões de diretores de centros de investigação e palestras para doutorandos. As sessões de 14, 15 e 17 de julho, dedicadas ao terceiro setor em Portugal, são de
acesso livre, mas implicam inscrição. A mesa-redonda “O terceiro setor em Portugal numa encruzilhada”, no dia 14 de julho, entre as 9h30 e as 11h30, vai reunir representantes da Fundação Calouste Gulbenkian, da Portugal
Inovação Social, da Fundação “la Caixa”, da CASES – Cooperativa António Sérgio para a Economia Social e do Café Joyeux.
A sessão abordará três grandes questões: a força histórica do terceiro setor português, a capacidade do país para se afirmar como referência em inovação social e os desafios de transformar boas ideias em soluções commaior escala e impacto público. Ao longo do debate, será discutido o modo como organizações tradicionais, instituições públicas, fundações e iniciativas de base têm contribuído para renovar a economia social em
Portugal.
No dia 15 de julho serão apresentadas as conclusões do estudo “Cooperação em Transição: Práticas e Tendências que Moldam as ONGD em Portugal”, patrocinado pela Fundação “la Caixa” e pela Stone Soup. A apresentação será seguida de um debate sobre práticas inovadoras implementadas pelas Organizações Não-Governamentais para o
Desenvolvimento (ONGD) portuguesas .
A última sessão dedicada ao caso português, “Filantropia e investigação social em Portugal”, decorre a 17 de julho, às 11h, coordenada pelo Centro Português de Fundações e com representantes da Fundação
Francisco Manuel dos Santos, da Fundação Universidade Nova de Lisboa e da Fundação “la Caixa”.