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Avisos e Liturgia do V Domingo do Tempo Comum – ano A

Avisos e Liturgia do V Domingo do Tempo Comum – ano A

 

z-igreja-AB Avisos e Liturgia do V Domingo do Tempo Comum - ano AO Sermão da Montanha é a Carta Magna do Cristianismo, é um verdadeiro compêndio que contém o fundamental da novidade cristã, os alicerces fundamentais da fé cristã. Mais do que palavras, são desafios que nos desinstalam e nos convidam a não ficarmos nos ritualismos. Jesus está sentado no cimo de um monte e faz um discurso aos que O seguiam. Assim, Jesus é apresentado como o “Novo Moisés” e o conteúdo do seu ensino como a “Nova Lei”.

Jesus quer “refrescar” a religião judaica que tinha caído num individualismo fechado aos problemas sociais. Mas, a Palavra de Deus condena uma religião ligada a Deus, mas desligada da Humanidade, um culto meramente exterior, sustentado por práticas rituais, mas apático na vontade de transformar corações. Já o profeta Isaías, no seu tempo, critica esta situação, como podemos ver na primeira leitura: “reparte o teu pão, dá pousada aos pobres, leva roupa ao que não tem que vestir, não voltes as costas ao teu semelhante”. Se assim procederes, “a tua luz brilhará na escuridão…se chamares, o Senhor responderá…seguir-te-á a glória de Deus”. Sem esta “liturgia da vida”, a liturgia da Igreja torna-se um rito vazio e hipócrita, não conseguindo mostrar a entrega de Deus, através do seu Filho, Jesus Cristo.

É isto que Jesus quer combater através das palavras do Sermão da Montanha. Por isso, Jesus não quer que os seus discípulos sejam somente piedosos, zelosos e cumpridores da Lei. Não interessa a Jesus robôs e fantoches que cumprem ordens e nada mais. Ele quer discípulos que, depois de acolher os dons de Deus, os vivam com os outros. Por isso, Jesus utiliza estas duas imagens: o sal e a luz.

“Vós sois o sal da terra”. Para os povos antigos da Bíblia, “sal” é igual a “sabedoria”. “Ser salgado” equivale a “ter sabedoria”, a sabedoria de Jesus e a viver segundo o Evangelho. Ser sal é dar sabor à vida. O sal tem duas propriedades: conservar e dar sabor. Nós temos a missão de conservar a Palavra de Deus, vinda de Jesus, e de a apresentar como a única que dá um novo paladar à vida. Sem Jesus, a vida torna-se insossa, destemperada. Mesmo sem se ver, o sal torna uma refeição boa ou não: é a diferença entre viver com Jesus ou sem Jesus. Mas, cuidado! Demasiado sal faz mal, não se consegue comer! Na nossa vida de fé, é preciso, também, equilíbrio: nem ausência de sal nem sal em excesso, ou seja, nem moleza nem fanatismo.

“Vós sois a luz do mundo”. Jesus diz aos seus discípulos que não se escondam das suas responsabilidades. Se Ele se chamou a si próprio “Eu sou a Luz do mundo”, “Quem me segue, não andará nas trevas”, como pode um seu discípulo não ser luz para os outros? Através de cada um de nós, Jesus quer continuar a iluminar a humanidade. As capacidades e os dons que Deus nos concede não são para serem colocados “debaixo do alqueire”, mas para serem postos a render ao serviço da evangelização.

Onde quer que estejamos, sejamos Evangelho vivo para todos os que nos rodeiam, amando, sem criticar os outros, ajudando os mais necessitados, mudando a nossa vida e ajudando os irmãos a mudarem também a vida. Deixemos que o Espírito Santo atue em nós e através de nós para dar sabor e luz à nossa sociedade. Só assim, colaboraremos para que também hoje se possa dizer: vede como se amam e glorificam o Pai que estás nos céus. 

 

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LEITURA ESPIRITUAL

Jesus ilumina o espaço do coração

 

O sal sensível dá sabor ao pão e a todos os alimentos, impede certas carnes de apodrecerem, conservando-as durante muito tempo. Considera que o mesmo acontece com a guarda da inteligência, pois ela cumula de sabor divino tanto o homem interior como o homem exterior, expulsa o odor fétido dos maus pensamentos e permite-nos perseverar no bem. De uma sugestão nascem numerosos pensamentos e destes, más acções sensíveis; mas quem, com Jesus, apaga imediatamente a primeira, evita as suas consequências e poderá enriquecer-se com o suave conhecimento divino pelo qual encontrará Deus, que está presente em toda a parte.

Estando o espelho da inteligência diante de Deus, é continuamente iluminado, à imagem do puro cristal e do sol sensível. Então, tendo alcançado o cume definitivo dos desejos, a inteligência repousa nele de qualquer outra contemplação. Quem olha o sol não pode deixar de ficar com os olhos inundados de luz. Da mesma maneira, quem se debruça permanentemente sobre o espaço do seu coração não pode deixar de ficar iluminado.

Quando as nuvens se dissipam, o ar fica limpo; da mesma maneira, quando os fantasmas das paixões se dissipam diante de Jesus Cristo, o Sol da Justiça, nascem no coração pensamentos luminosos, semelhantes às estrelas. Pois Jesus ilumina o espaço do coração. (Hesíquio do Sinai, dito de Batos, por vezes assimilado a Hesíquio, sacerdote de Jerusalém (séc. V?), monge, «Sobre a sobriedade e a vigilância», 87, 88, 108, 197).

 

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