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Liturgia do XXV Domingo do TEMPO COMUM – ano C

 

A primeira leitura e o evangelho são textos importantes sobre o uso das riquezas, do dinheiro. Muitas vezes, pedimos saúde, amor e dinheiro para os nossos familiares. Mas, com o dinheiro, devemos ter muito cuidado. É evidente que precisamos do dinheiro para viver e para a nossa subsistência, mas há o perigo de ficarmos cegos com ele, sobretudo no contexto da nossa sociedade, onde o dinheiro movimenta tudo, onde por dinheiro se faz qualquer coisa. Convertemos o dinheiro num deus. Na primeira leitura, o profeta Amós já denunciava isto mesmo, dizendo: “Quando chegará a lua nova, para podermos vender o nosso grão? Quando chegará o fim de sábado, para podermos abrir os celeiros de trigo? Faremos a medida mais pequena, aumentaremos o preço, arranjaremos balanças falsas. Compraremos os necessitados por dinheiro e os indigentes por um par de sandálias. Venderemos até as cascas do nosso trigo”. Este texto tem quase três mil anos e, lamentavelmente, está tão actual em muitas ocasiões da nossa sociedade! As grandes fortunas que quase estão imunes de pagar impostos, as multinacionais cujo objectivo é ter lucros à custa dos trabalhadores, as pensões de miséria, a corrupção de alguns políticos, aqueles que morrem a fugir das suas terras e tantos outros problemas que asfixiam os mais desfavorecidos! Amós diz que Deus não esquece o mal que fazemos com o dinheiro, que deve servir para fazer o bem, não para prejudicar as pessoas.

Como somos frágeis, o dinheiro cega-nos facilmente. Às vezes de uma forma muito subtil, inocentemente, mas pode converter-se num vício que é difícil de sair, porque pode originar corrupção, roubo, ganhar a qualquer preço. O dinheiro não é mau, tudo depende do uso que dele fazemos. O dinheiro deve ser um meio, não um fim; deve estar ao serviço das pessoas e não ao serviço de alguns, enquanto os outros passam privações. Peçamos a Deus a sabedoria e a lucidez para não nos deixarmos cegar pelo dinheiro.

No texto do Evangelho, é curioso que Jesus não faz uma crítica ao administrador corrupto, mas louva a sua esperteza. Com este procedimento, Jesus não louva aquele homem por ser corrupto, mas quer mostrar aos seus discípulos que, assim como o homem foi esperto em algo concreto como é o dinheiro, também eles (e nós, hoje) devem ser espertos nas coisas do espírito, a trabalhar sem desanimar para fazer o bem, a perdoar, a amar, sendo honestos e bons. A cobiça, a avareza, a indiferença e a ambição não agradam a Deus. Recordemos as últimas palavras que escutámos no evangelho: “Nenhum servo pode servir a dois senhores, porque, ou não gosta de um deles e estima o outro, ou se dedica a um e despreza o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro”. Deus e o dinheiro excluem-se mutuamente. Jesus quer que a nossa relação com o dinheiro seja livre e desprendida. Mas quer também que as nossas relações humanas sejam puras e transparentes. Não se pode “comprar” uma amizade por conveniência ou abdicar de algo apenas por mero interesse pessoal. Uma relação de tipo comercial ou prestadora de serviços também não serve, sobretudo quando falamos da relação com Deus (como é o caso de algumas “promessas”), ou da relação com a Igreja (como é o caso de alguns exigirem serviços à Igreja, esquecendo-se que é baptizado e da sua colaboração na pastoral).

Não procuremos as riquezas ilusórias deste mundo como o dinheiro e as coisas materiais, mas procuremos as coisas do Céu, que não se corrompem nem enferrujam.

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LEITURA ESPIRITUAL

«Nenhum servo pode servir a dois senhores».

 

Não é que haja dois senhores; há um só Senhor. Porque, mesmo que haja pessoas que servem o dinheiro, este não possui qualquer direito de ser senhor; as pessoas é que tomam sobre si o jugo desta escravatura. Com efeito, o dinheiro não tem um poderio justo, antes constitui uma escravatura injusta. É por isso que Jesus diz: «Arranjai amigos com o vil dinheiro», para que, pela nossa generosidade com os pobres, obtenhamos os favores dos anjos e dos santos.

O administrador não é criticado; deste modo, aprendemos que não somos senhores, mas administradores das riquezas de outros. Se bem que tenha errado, ele é elogiado porque, ao dar aos pobres em nome do seu senhor, arranjou apoios para si. E Jesus chama «vil» ao dinheiro porque o amor pelo dinheiro tenta-nos com as suas diversas seduções, a ponto de aceitarmos ser seus escravos. É por isso que Ele diz: «Se não fostes fiéis no bem alheio, quem vos entregará o que é vosso?» As riquezas são-nos alheias porque estão fora da nossa natureza: não nascem connosco, não nos seguem na morte. Cristo, pelo contrário, é nosso, porque é a vida. Não sejamos, pois, escravos dos bens exteriores, porque só a Cristo devemos reconhecer como Senhor. (Santo Ambrósio, c. 340-397, bispo de Milão, doutor da Igreja, Comentário sobre o Evangelho de Lucas, 7, 244s).

 

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