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Artigo de Sara Morais—ANSIEDADE EXISTENCIAL E A HIPNOTERAPIA

A natureza é caracterizada pela sua ciclicidade, lançamos uma semente na terra, esperamos que esta ganhe raízes para que possa germinar, crescer, florescer e morrer. Assim como as fases da lua, como o dia e a noite, como as marés…Há um ritmo inerente a tudo!  O Ser Humano como elemento natural faz parte,também, de um ciclo: nascer, viver e morrer. Durante este “viver”, o leitor cumpre a sua experiência através de uma ciclicidade de eventos como as guerras, pandemias, perdas de referências, crises económicas, afetos e desafetos, grandes e rápidas transformações sociais, doenças, mudanças de valores e comportamentos. Esta roda viva que é a vida favorece aquilo que se designa por ansiedade existencial.

A ansiedade existencial é caracterizada por uma angústia profunda alimentada pelas perguntas centrais da existência: “Quem sou eu?”, “Qual é o sentido da minha vida?”, “Como lidar com a morte e a finitude?”. Embora estas interrogações façam, naturalmente, parte da condição humana e possam impulsionar crescimento pessoal, também, quando persistem de modo recorrente ou intenso, compromete a saúde mental, pois pode criar sofrimento e favorecer o isolamento, assim como afetar o bem-estar, o sono, a motivação, relações inter e intra-pessoais, desencadear depressão ou bloqueios existenciais.

A hipnoterapia surge como uma ferramenta terapêutica que pode oferecer caminhos complementares para aliviar essa ansiedade existencial. Ao induzir um estado de relaxamento e de consciência, existe uma maior atenção e concentração e uma menor funcionalidade crística consciente o que permite a permeabilidade da mente. Neste seguimento, ao intervir na ansiedade existencial é possível trabalhar os valores pessoais, o sentido de vida, permite ao leitor entrar em contacto com o que verdadeiramente lhe é importante, assim como o que pode estar escondido ou esquecido. Esta primeira abordagem poderá aliviar o sentimento de vazio ou de desorientação existencial. Uma outra abordagem é o trabalho sobre a redução de medos profundos, como por exemplo: o medo da morte ou de morrer, medo do sofrimento ou isolamento. Neste âmbito, as técnicas utilizadas ajudam a enfrentar e as reprocessar esses medos. Ainda no modelo interventivo existem as imagens terapêuticas e metáforas que ajudam a trabalhar o sentimento de segurança e a reconciliação com o “eu”. Existe, também, práticas de auto-hipnose e auto cuidado que podem ser trabalhadas para que o leitor reúna as ferramentas necessárias para a auto regulação emocional.

Em conclusão, a hipnose não é uma “cura milagrosa”, não resolve todos os conflitos existenciais sobretudo se houver condições psiquiátricas graves associadas, ou se for utilizada sem acompanhamento. No entanto, aparece como uma intervenção promissora para aliviar a ansiedade existencial, através da facilitação de significado, redução do medo ou sofrimento, do uso de metáforas simbólicas e da criação de práticas de auto-hipnose, pode ajudar o leitor a encontrar maior sentido de vida, mais aceitação e menos angústia.

 

Sara Morais – Hipnoterapeuta

 

 

Artigo de Sara Morais—Aprendizagem – Hipnose Clínica

A aprendizagem e a Hipnose Clínica andam de mãos dadas de várias maneiras, uma vez que a hipnose pode ser uma ferramenta poderosa para ajudar no processo de aprendizagem, no desenvolvimento de novas habilidades e na superação de dificuldades cognitivas ou emocionais que possam, de alguma forma, interferir nesse processo.

Um dos grandes desafios da aprendizagem é, sem dúvida, a concentração e o foco. A Hipnose é uma ferramenta fundamental para melhorar estas duas premissas. A própria alteração de estado de consciência é caracterizado por uma intensa concentração, foco e relaxamento induzido pelo profissional, o que possibilita ao leitor a mudança das ondas cerebrais para um padrão mais organizado, como por exemplo: as ondas alfa (associadas ao relaxamento e foco) ou beta (associadas a um estado de alerta e atenção); o que por sua vez, estimulam a libertação de substâncias como a dopamina e norepinefrina que vão, consequentemente, aumentar a atividade cerebral no Córtex pré-frontal o que permite o exercício de tomada de decisões, planeamento e controle executivo. Isto, possibilita desempenhar um papel central na concentração ao filtrar as distrações e a manter o foco na tarefa que é essencial em todos e, quaisquer, ambientes de aprendizagem, onde a atenção plena é crucial para absorver, processar e armazenar novas informações.

Contudo, a ansiedade pode irromper como um obstáculo à concentração e foco e, como resultado, contribuir para o insucesso escolar / profissional. Porém, a Hipnose Clínica pode influenciar positivamente a fisiologia da ansiedade de diversas maneiras: ajudando a reequilibrar os sistemas orgânicos e promover um estado de relaxamento e controlo emocional. Durante o processo de hipnose é ativado o sistema nervoso parassimpático, o que reduz a resposta de “luta e fuga” tão característica da ansiedade. É, também, diminuída a frequência cardíaca, a pressão arterial e promovida uma respiração mais lenta e profunda o que reduz os sintomas físicos da ansiedade, como a taquicardia, a hiperventilação e a tensão muscular. Neste alinhamento, existe uma diminuição da produção do cortisol – a hormona do stress – o que favorece um ambiente físico mais calmo e equilibrado.

Ainda, durante a hipnose, o leitor pode ser orientado pelo profissional a explorar e reprogramar os padrões de pensamento que alimentam a ansiedade. O terapeuta pode sugerir maneiras de interpretar situações de grande agitação de forma mais realista e menos ameaçadora, o que reduz a ativação emocional negativa. Esta forma de reestruturação desenvolve respostas mais equilibradas e menos ansiosas. Desta forma, a Hipnose Clínica pode ajudar a reduzir a ansiedade associada às várias situações de aprendizagem, como exames ou apresentações, criando um estado de calma e confiança.

A par destas intervenções na aprendizagem a Hipnose Clínica tem, também, um papel preponderante no que diz respeito às dificuldades emocionais que podem intervir no processo de aquisição de conhecimentos. Por vezes, as pessoas têm crenças limitantes sobre a sua capacidade de aprender ou de se desenvolver em certas áreas. A hipnose pode ajudar a identificar e a mudar essas crenças, permitindo que o leitor possa desenvolver um padrão mental de crescimento e produtividade. Por outro lado, o leitor poderá apresentar dificuldades na aprendizagem por estar relacionado a um bloqueio emocional. Neste enquadramento, a hipnose clínica ajuda aceder a essas memórias e experiências traumáticas passadas e a resolver as mesmas para que possa usufruir da sua capacidade de aprender de maneira eficiente.

Em conclusão, a Hipnose Clínica pode ser uma ferramenta valiosa no processo de aprendizagem, ajudando a melhorar o foco, a reduzir a ansiedade, a incrementar a memória, e a superar os bloqueios emocionais que possam interferir na aquisição de novos conhecimentos e habilidades.

No próximo artigo poderá verificar mais sobre o papel da Hipnose na relação intrapessoal.

 

Sara Morais

Hipnoterapeuta

 

Artigo de Sara Morais —Quando o Sorriso perde o Caminho – A Hipnose Clínica

Este término do Verão revelou-se avassalador: os fogos, a luta pela sua sobrevivência e pela segurança e perpetuidade dos seus bens… Na verdade, o modo de vida foi posto em causa – falo da valorização dos pressupostos que, maioritariamente, não garantem a sua felicidade, mas apenas e, somente, a funcionalidade daquilo que gravita ao seu redor. É dentro desse eixo que surge a verdade incontornável de que vivemos como imortais, tomando tudo como garantido, mas na verdade somos frágeis em busca da tal felicidade.

Nesta aventura que é a vida, por vezes, é difícil parar para pensar no caminho porque o leitor vai caminhando, inconscientemente, vivendo da melhor forma que sabe e com as ferramentas que lhe foram dadas ao longo da vida. E, por isso, apesar de reconhecer que a vida se foi construindo, de forma, a tornar-se numa pessoa bem-sucedida parece, mesmo assim, sentir um vazio que ecoa pelo seu “eu” interior confundindo o seu sorriso até, que este, se perca dando lugar à tristeza.

Este sentimento é, frequentemente, percecionado como uma fraqueza que atira o leitor para uma posição desconfortável dentro das várias dimensões da sua vida. No entanto, o que naturalmente sucede é a necessidade de fazer desaparecer este “fogo” cálido para voltar a encontrar o equilíbrio que outrora havia no seu dia a dia.

É neste enquadramento que surge a Hipnose Clínica não só como uma ferramenta de desenvolvimento pessoal, mas, também, como um utensílio preventivo na sustentação da sua saúde mental. A terapia assente num estado fisiológico natural, permite aceder ao seu subconsciente onde todas as suas referências interiores estão guardadas e servem como linhas de orientação no ser e no sentir. Neste âmbito, o leitor desenvolve um olhar mais conhecedor, compreensivo e tolerante sobre os seus próprios limites e capacidades que lhe permitirá enquadrar os seus sentimentos e emoções de uma forma mais equilibrada e saudável. Assim, o seu mindsetting é trabalhado no sentido de expandir a sua capacidade emocional e racional para interagir com uma maior adaptabilidade do “eu” à grande quimera que é a vida.

No próximo artigo poderá saber mais sobre o impacto do sono no bem-estar da mente e o papel interventivo da Hipnose Clínica.

Sara Morais

Hipnoterapeuta

 

 

Artigo de opinião de Sara Morais ——-Mente: A cruel e invisível prisão

A mente humana é incrível, disso não há dúvida, é um dos locais mais brilhantes que escondem, ainda, grandes mistérios e um potencial infinito. É neste “lugar” que reside toda a nossa capacidade de agir, de produzir ideias, conceitos, de raciocinar e imaginar, o que identifica a nossa singularidade perante todas as outras formas de existência na natureza. Neste sentido, o homem é, antes de tudo, livre porque detém a capacidade de agir sobre si mesmo, de propor ideais, de agir de acordo com a razão, dispondo da autodeterminação, independência e autonomia para impor limites aos impulsos do desejo e do instinto.

Embora, na prática, não seja possível aprisionar todas as conexões sinápticas cerebrais, a verdade é que, por vezes, a mente torna-se numa verdadeira prisão sem grades. A maior barreira mental afirma-se quando o leitor desenvolve em si as ideias limitantes, porque acredita na sua incapacidade, tornando-se refém e escravo de si próprio e, com isso, esgota todas as oportunidades viáveis de ser feliz.

Ao contrário do carcere físico, em que a ação libertadora poderá estar dependente de terceiros, neste caso só o leitor poderá soltar os grilhões que o prendem a uma vida de frustração plena e das mais variadas crenças limitantes. É importante assinalar que, em grande maioria das situações, o regime de crenças é desenquadrado da realidade e sustentado pela inércia do próprio leitor. E, quando há, uma tentativa real falha, o leitor cerca-se do seu fracasso inicial e investe, ainda mais, na sua ideação entorpecedora. Isto, tornar-se-á numa dificuldade em reconhecer quando está, de facto, refém dos seus próprios pensamentos, uma vez que a “verdade” que se instala parece real e absoluta.

Contudo, o fracasso não tem que ditar a sua história de vida. Até, porque, a escada do sucesso prende-se exatamente pela persistência, pelo falhar, o cair, o levantar e insistir até resultar. Exatamente, como uma pequena semente que é lançada à terra que passa pela incerteza da escuridão, pela humidade e erosão e, que no final, acaba por desenvolver as suas raízes para prosperar no seu meio envolvente. Todo processo de aprendizagem para estar bem consigo e com a vida, mora exclusivamente, dentro da sua decisão e atitude.

A Hipnose Clínica é uma ferramenta terapêutica que pode auxiliar o leitor nesta demanda. Inicialmente, são identificados os pensamentos emocionais, psicológicos e irracionais, formados através das várias experiências de interação com o meio. Seguidamente, o leitor irá desenvolver o autoconhecimento de como estas crenças afetam a sua vida. Cada pensamento tem um impacto diferenciado, por vezes, profundo na forma como exibe as suas próprias decisões e comportamentos. Esta consciencialização permite que o leitor se adapte melhor à mudança. Posteriormente, e ao adquirir este novo olhar sobre estas ideias e sensações irracionais, o leitor é convidado a mergulhar nas suas memórias para  descobrir a origem das crenças para refutar, eliminar e alterar esses padrões de pensamento. Neste seguimento, surge uma nova “programação” mental, em que consiste numa reestruturação dos significado que o leitor atribui, interpreta e aplica ao seu “eu” e ao mundo ao seu redor. Esta reorganização cognitiva pressupõe um maior auto domínio sobre a resposta emocional e, por conseguinte, permite finalmente soltar-se da mais cruel e invisível prisão: a mente.

No próximo boletim de saúde poderá verificar mais sobre as crises existenciais, os objetivos de vida e como qual a intervenção da Hipnose Clínica.

Sara Morais – Hipnoterapeuta

Artigo de Sara Morais— Depressão, Personalidade Depressiva e a Hipnose Clínica

Depressão é comummente conhecida como uma perda de energia e vitalidade, tanto a um nível físico como psicológico, que condiciona o quotidiano do leitor no âmbito da concretização das várias tarefas, sendo estas percecionadas como depauperantes.

Em contraste, a personalidade depressiva é caracterizada não por uma perda, mas por um défice de investimento no próprio “eu”, que vive paredes meias com a baixa-autoestima.  Neste caso em concreto, o leitor é dominado por um sentimento permanente de frustração fruto da não concretização dos seus desejos e ambições mais profundas.

Em contraposição, o cérebro humano tem a capacidade de transformar o mundo real, de injetar a felicidade, de inventar o prazer e de potenciar a sensação de realização através dos vários neurotransmissores: dopamina, serotonina, endorfinas e adrenalina. Por exemplo, quando o leitor come um determinado alimento calórico, automaticamente, sente prazer, ou simplesmente quando faz exercício físico sente uma maior sensação de energia e vitalidade. Assim, também, acontece quando o leitor conquista uma determinada ação, comportamento ou objetivo, que em resultado acaba por sentir maior confiança e sensação de auto concretização.

Contudo, na depressão este sistema de recompensa e de construção do mundo real fica desregulado, a vida fica empobrecida e tudo o que acontece ao seu redor é percecionado como eventos ilógicos e sem relevância. O leitor experiência, então, a lentificação das capacidades cognitivas e físicas, o que cumulativamente, instala o desinteresse pela procura do prazer e da felicidade.

Na personalidade depressiva, o sistema de recompensa não existe porque não há uma perda, propriamente, dita. Há, contudo, uma construção de crenças limitantes, alimentadas pelas várias deceções sofridas no passado, que alicerça a falta do desejo. Na verdade, é como se existisse um reconhecimento “inato” da impossibilidade da concretização do sonho / objetivo. Esta delimitação autoimposta marca uma constante insatisfação e, por consequência, a sua resposta comportamental e emocional.

É neste enquadramento que surge a Hipnose Clínica enquanto ferramenta terapêutica não convencional, mas complementar e natural. O estado de Hipnose, por si só, caracteriza-se por um estado neurofisiológico natural que altera a perceção cognitiva, do exterior para o interior, permitindo a libertação natural dos neurotransmissores que restabelecem o equilíbrio neuro-químico. Neste alinhamento, o leitor começa a sentir mais energia e o pensamento fica menos disperso. Numa fase posterior, o leitor vai desenvolver uma maior consciência sobre o seu “eu” interior e sobre as suas emoções, compreendendo um reajuste nos vários comportamentos e hábitos no role play no seu quotidiano, devolvendo assim o bem-estar e a qualidade de vida ao leitor.

No próximo boletim de saúde poderá saber mais sobre como a mudança do tempo influencia os nossos comportamentos e estados emocionais e a respetiva intervenção da Hipnose Clínica.

Sara Morais

Hipnoterapeuta

 

Artigo de Sara Morais– A Hipnose e os Mitos

A relação entre a mente e o cérebro sempre suscitou grande interesse e debate, mas quando misturamos a Hipnose na equação parece que surge uma avalanche de mitos e de conceções falsas devido ao desconhecimento sobre este estado.

A hipnose é um estado fisiológico natural que através de um estado profundo de relaxamento, emparelhado com exercícios respiratórios, permite que o leitor consiga aumentar e afunilar a sua atenção e, assim, passar do estado de vigília para um estado mais focado e adequado para aceder a conteúdos internos e, por sua vez, desenvolver uma autoconsciência mental e emocional. Por outras palavras, a hipnose age diretamente sobre o sistema límbico, uma área especifica do cérebro que compreende também o Hipocampo e a Amígdala (estes responsáveis pelos diversos comportamentos, emoções, estímulos sexuais, processos de aprendizagem e memória); permitindo que a consciência fique permeável às sugestões terapêuticas. Seguidamente, o que acontece é que a sua perceção sobre o que o rodeia fica diminuída porque a sua atenção concentrada foi amplificada e direcionada para o seu “eu” interior. Este estado situa-se, exatamente, entre o estar acordado e o estar a dormir, estado esse que experiencia várias vezes ao longo do seu dia, por exemplo: quando está concentrado a ver a televisão ou, até, quando tem uma conversa interessante com alguém. Assim, como neste exemplo, não fica inconsciente, nem tão pouco vai adormecer, ou ficar incapacitado de saber o que está a acontecer. Não obstante, o seu corpo ficará completamente relaxado enquanto a sua mente ficará, particularmente, focada e ativada.

O facto de não existir perda de consciência significa, também, que estará no autodomínio da sua capacidade de “despertar”, simplesmente, abrindo os olhos sempre que desejar. Em adição, tudo o que experienciou sobre o estado da hipnose será recordado por si, pois estará consciente durante todo o processo.

   Nesta linha de eventos, o leitor não dirá ou fará nada contra a sua vontade, assim como a indução a esse estado de consciência só poderá acontecer se o permitir, deixando-se envolver pelas sugestões dadas pelo profissional, caso contrário nada acontecerá. O que contrapõe, de igual forma, o mito que só apenas as pessoas com uma personalidade mais fraca são hipnotizáveis, o que tal não corresponde à verdade. O facto do leitor possuir a capacidade de se concentrar, visualizar os seus pensamentos e imaginar os mesmos quer dizer que reúne todas as condições para o efeito. No caso de existir dificuldade no processo de foco e visualização estas capacidades vão sendo desenvolvidas e amplificadas à medida que vai colaborando no seu processo terapêutico.

   Em conclusão, a hipnose, enquanto fenómeno natural, fisiológico e mental, favorece o diálogo estruturado entre a mente e o cérebro no sentido de desenvolver uma postura mentalmente construtiva capaz de melhorar a sua saúde física, da mesma forma, que ajuda a superar os vários desafios impostos pelos diferentes estados mentais e emocionais.

   No próximo boletim de saúde poderá verificar mais sobre a identificação projetiva e o papel da Hipnose Clínica.

Sara Morais

Hipnoterapeuta

 

Artigo de Sara Morais—As Férias, a Ansiedade e a Hipnose Clínica

Há quem diga que as férias sabem sempre a pouco e que passam tão rápido como o diabo esfrega um olho. Neste período de descanso é pressuposto que o leitor, simplesmente, desligue a corrente do stress das exigências impostas, diariamente, e que nutra o seu “eu” com novas oportunidades capazes de lhe trazem aquela lufada de ar fresco que o faz revigorar. No entanto, a sensação de não estar a trabalhar ou a aproveitar o tempo com tarefas ou atividades produtivas pode transformar esta época num verdadeiro “inferno” de ansiedade.

É comum, algumas pessoas sentirem preocupação e ansiedade durante o período que antecede as férias e o próprio momento de descanso. Umas, porque sentem uma crescente ansiedade não só pela preocupação normal em ir de viagem para locais desconhecidos, mas, também, porque sentem a urgência em viver momentos de prazer. No entanto, existem, também, aqueles leitores que têm dificuldade em desligar a adrenalina do corre-corre do dia-a-dia nos momentos em que se presume o divertimento e o descanso. Nestes últimos, o sentimento de culpa urge contra o repouso e sobrepõe-se à diversão, ao prazer, impossibilitando o leitor de descansar e até de sentir satisfação.

Numa perspetiva orgânica, esta “síndrome de lazer” favorece a sobreprodução de adrenalina e cortisol no corpo, duas hormonas, que contribuem para o desenvolvimento de várias perturbações emocionais e, consequentemente, para um impacto generalizado e prejudicial para a sua saúde física e mental.

A vida não é só trabalho! Como tudo na vida, é preciso estabelecer um equilíbrio entre as partes. A Hipnose Clínica pode servir como um contrapeso no desequilíbrio. Enquanto, ferramenta terapêutica e de desenvolvimento pessoal, o leitor terá a possibilidade de superar as suas dificuldades e promover, assim, estados psicológicos positivos que podem, por sua vez, gerar conexões neurais que produzem, por si só, a sensação de paz interior.

Na verdade, para além de oferecer a alteração natural fisiológica, oferece também o conhecimento do seu “eu” interior. Durante o processo, e porque está livre de fatores de stress esternos, desenvolve um maior controlo sobre as suas emoções. Compreenderá melhor as suas limitações e capacidade de superação e, é nessa altura, que a sua ansiedade é circunscrita. A mente grava, no seu subconsciente, que as férias são, portanto, momentos de grandes oportunidades para se libertar e experimentar novas experiências. Os medos e inseguranças transformam-se em lembranças distantes, o seu comportamento muda, e o tempo cresce para que possa escutar mais o seu “Eu sem que a autocritica bata à sua janela interior.

Assim, aquele “inferno” torna-se num paraíso em que o vai e vem das ondas permite, finalmente, fazê-lo relaxar, o seu cérebro recupera o que resulta na consolidação de conhecimento, do aumento da sua capacidade de memorização, do estímulo do aparecimento de novas ideias e soluções para os demais desafios da vida, atingindo, por fim, a tranquilidade e a felicidade que tanto deseja.

No próximo boletim de saúde poderá verificar mais sobre o regresso ao trabalho e as possíveis influências desse retorno na sua psique.

Sara Morais

Hipnoterapeuta

Artigo de Sara Morais: A Carência do Ego—- Parte II: Autoafirmação

Já Albert Einstein reconhecia que “viver é como andar de bicicleta. É preciso estar em constante movimento para manter o equilíbrio”. E, não é segredo que em todo o processo de mudança existe a necessidade de recorrer a várias competências, entre elas: a autoafirmação.  É através desta competência que o leitor, a partir dos 3 anos de idade, cria e molda a sua imagem real com o objetivo de se diferenciar do meio que o rodeia. Já na fase adulta e, de acordo com vários fatores sociais e pessoais, este processo psicológico é usado, transversalmente, para criar a sua forma de ser e de estar. Contudo, é através da auto afirmação que o leitor poderá, facilmente, criar uma imagem ilusória de si mesmo enquanto mecanismo de defesa do ego.

Isto que dizer, quando o seu ego entra em carência, o leitor vai desenvolver um comportamento compensatório que, neste caso, surge como o destaque neurótico constante das suas qualidades, com o objetivo de se agradar a si próprio ao sentir aprovação e reconhecimento pelos seus pares e, assim, encapotar a falta de amor-próprio. No fundo, trata-se de um recurso que o subconsciente veste para equilibrar o medo de falhar na vida pessoal e social.

Convínhamos, esta busca venal de autoafirmação é subsidiada pelos nossos valores sociais modernos, como por exemplo: a política do consumismo e as redes sociais, que imprimem a ideia que para atingir o sucesso é necessário ser Perfeito. Para reforçar a ideia, estas autoafirmações negativas vão elencar uma força distorcida do “eu” e, por esse motivo, não haverá espaço para a mudança, mas sim para a estagnação, desilusão e insucesso.   A partir deste alinhamento, surgem os sentimentos de angústia e as auto distorções cognitivas que sustentam a conotação negativa e patológica às autoafirmações.

A Hipnose Clínica é um caminho para a mudança destes padrões disfuncionais do pensamento. A primeira fase da terapia é identificar as autoafirmações e os gatilhos que criam a patologia.  Seguidamente, o terapeuta irá ajudar o leitor, por meio de técnicas específicas, a confrontar e a formular hipóteses construtivas através da sugestão. Este processo desenvolve o auto conhecimento, e por conseguinte, a auto regulação emocional o que irá contribuir para uma relação mais próxima entre a realidade e o seu modo de pensar. O paradoxo de tudo isto é que quanto mais o leitor se aceitar e conhecer mais poderá mudar e atingir a realização e felicidade que tanto deseja.

No próximo boletim de saúde poderá verificar mais sobre o pensamento negativo e a Hipnose Clínica.

Sara Morais

Hipnoterapeuta

Artigo de Sara Morais — A Carência do Ego: Parte 1: Aprovação e o Reconhecimento

Não é à toa que o leitor é a personagem principal da novela da sua existência, e que se sinta como um verdadeiro pináculo da criação, isto porque é dotado de Ego – um arquétipo da perfeição, que caracteriza, por si só, a personalidade de cada indivíduo. Sem este defensor da personalidade era impossível para o leitor diferenciar os seus processos interiores da realidade que o envolvem. No fundo, se o ego não existisse a noção de existência seria posta em causa.

No entanto, o “eu”, por vezes, entra em carência quando as suas necessidades e desejos são postos de parte. No imediato, surgem pensamentos ruminantes e desgastantes, que se espelham numa procura incessante pela aprovação e reconhecimento, como também uma dependência do que os outros pensam, acabando por perder a sua autoestima e ceder ao sofrimento de querer agradar a gregos e a troianos. Neste processo de hipoteca de si mesmo, o seu “eu” fica fragmentado, como se tivesse partido em vários pedaços, e a sua autenticidade – aquilo que representa a sua essência como única – perde-se como um grão de areia entre esses mesmos filamentos do ser.  E, tudo o que resta é o medo de rejeição, da crítica, o impedimento em expressar a sua opinião, o medo da rejeição de não se sentir aceite e não agradar, o que apadrinha um grande sofrimento emocional. Neste estado, o passado e o futuro tornam-se presentes e deixa de viver o tempo como ele realmente existe, e os seus problemas sobem à ribalta tornam-se estes protagonistas da sua história.

Neste seguimento, o leitor poderá reconhecer esta necessidade de aprovação e reconhecimento quando se sente inibido de partilhar a sua própria opinião sempre que estiver a conversar com outras pessoas com o objetivo de angariar aceitação e simpatia; ou por exemplo se o seu estado de humor e autoestima dependem de como foi tratado por outrem. Se for elogiado, o seu humor será, certamente, positivo, caso contrário, ficará triste e insatisfeito. Existe, também, a dificuldade em dizer “não” deixando as suas prioridades para atender as necessidades do outro. Por fim, a excessiva atenção à imagem física é comum, pois, é através desta que poderá arrecadar elogios o que acaba por sustentar o seu bem-estar.

Uma das formas para lidar com esta carência é melhorar a sua auto estima. A Hipnose Clínica permite o leitor identificar os pensamentos e explorar as crenças e atitudes irracionais em relação a este sentimento de vazio que o leva a procurar a aprovação e reconhecimento ininterrupto. Neste processo, são trabalhados vários registos que favorecem o autocuidado das suas necessidades e desejos. É validado um novo olhar sobre como o ser humano é sensível e falho e, por esse motivo, não precisa de ser perfeito, cada caminho é um caminho, de aperfeiçoamento e de crescimento. Após a tomada de consciência sobre estes aspetos, é possível que o leitor possa mudar a sua forma de pensar e de agir através da criação de novos objetivos e de um novo registo de crenças que vão alicerçar a sua autoconfiança e, consequentemente, as suas competências.

No próximo boletim de saúde poderá verificar mais sobre a autoafirmação enquanto patologia e o respetivo papel da Hipnose Clínica.

Sara Morais

Hipnoterapeuta

 

Artigo de Sara Morais—Como construir uma Relação Saudável?

A sociedade atual elenca a fluidez dos relacionamentos, a busca da satisfação das próprias necessidades, tanto pelas aquisições materiais quer pelos vínculos pessoais, relacionar-se com o outro transformou-se num verdadeiro desafio. O ato de amar ou gostar, implícito em qualquer contexto de relacionamento é, comummente, associado a três grandes premissas: compreensão, preenchimento e realização pessoal. E porquê? Porque, desde a infância, aprende a amar de forma errada, ou seja, a percecionar o outro como a “outra metade” de si mesmo, a depositar todas as suas esperanças, no outro, para nutrir as próprias necessidades e ser feliz. Este processo de aprendizagem, fruto da sociedade em que vivemos, favorece a preeminência de sentimentos de solidão, desvalorização pessoal e a dificuldade em perceber o outro como diferente de si mesmo.

O segredo para a construção de uma relação saudável está nos detalhes. Existem, muitas estratégias, mas o primeiro grande passo é pensar no outro como um complemento e não como parte integrante de si mesmo. Este olhar, autónomo e confiante, favorece a sustentação do vínculo de forma equilibrada sem que a sua autenticidade e individualidade seja posta em causa. Assim, para que o vínculo seja amadurecido, o leitor precisa de conhecer os seus próprios limites e capacidades, ter confiança em si, respeitar as suas limitações, para que possa, também, confiar e respeitar a outra parte. Esta via de dois sentidos compreende, então, a capacidade de comunicar e saber escutar.  É importante expressar o que nos faz feliz, o que desejamos da relação, o que nos magoa, mas é, igualmente, importante escutar o que pensa e sente o outro lado.  É neste seguimento que surge o trabalho de equipa, aplicar estratégias de soluções para os aspetos conflituantes ao invés de escolher competir, apontar o dedo, receber ou estar sempre à frente do outro. Na verdade, é importante olhar para o seu companheiro(a) como diferente, alguém que não sente nem pensa da mesma forma que o leitor. É neste processo de aceitação que adquire a compreensão e a capacidade de adaptabilidade e tolerância para com o seu par.

De qualquer forma, pensar em ser um ou ser dois será sempre uma tarefa desafiante.  E é perante esta complexidade que pode recorrer à Hipnose Clínica para desenvolver um maior conhecimento sobre como vivencia os seus relacionamentos, assim como todos os seus vínculos são criados. Neste enquadramento, a terapia tem como princípio desenvolver competências no leitor para suprir as suas próprias necessidades sem que para isso tenha que colocar toda essa responsabilidade no seu parceiro(a). O desenvolvimento do auto conhecimento irá proporcionar um maior controlo emocional o que, consequentemente, favorecerá a construção de uma relação companheira, autêntica, saudável e equilibrada.

“O propósito de um relacionamento não é ter alguém que possa completá-lo, mas ter alguém com quem você possa partilhar a sua completude” Neale Donald Walsch

No próximo boletim saúde poderá verificar mais sobre a necessidade pela aprovação dos outros e como a Hipnose Clínica pode ajudar.

Sara Morais

Hipnoterapeuta