Em determinados momentos, o leitor fica preso em algumas ideias persistentes, aqueles pensamentos que, recorrentemente, cercam a sua mente de preocupação, incerteza e medo. Estes sentimentos, alimentam o viés negativo da mente, assim como promovem comportamentos de verificação e compulsividade no que diz respeito à criação de hábitos repetitivos ou rituais. Situações rotineiras como: o conferir se o carro, está de facto fechado, se as luzes estão apagadas, a contagem recorrente de objetos, a excessiva organização e simetria, ou até mesmo a constante necessidade de limpar, são sinais de alerta de uma POC – perturbação obsessiva compulsiva. Contudo, este tipo de comportamento pode ser classificado por uma simples cisma – comportamento normativo – ou um comportamento patológico se a ideia consumir maior parte do seu tempo e interferir com a sua rotina e com a sua vida pessoal, social e profissional.
A Perturbação Obsessiva Compulsiva é caracterizada por obsessões e compulsões. As obsessões são denominadas pelos pensamentos de risco e envolvem sentimentos de angústia e ansiedade. Este tipo de pensamento é, também, intensificado pela atual situação pandémica, uma vez que a mesma contribuí para a preocupação da contaminação, concedendo espaço para a sustentação da dúvida sobre as suas ações. Por outro lado, as compulsões surgem do ato repetitivo para aliviar o sentimento de ansiedade causado pelas obsessões, como por exemplo o lavar das mãos, compulsivamente, para evitar o contágio e aliviar o medo de contaminação.
Esta perturbação é transversal, pois atinge tanto crianças como adultos, e tem múltiplos fatores de risco que contribuem para o aparecimento desta perturbação. Um dos fatores é a própria personalidade do leitor, se a sua personalidade é marcada pela afetividade negativa, pelo perfecionismo ou repressões comportamentais, existe um maior risco de desenvolver o “Tiques” com o objetivo de subscrever os desafios que encontra no seu dia-a-dia. No entanto, se experienciou momentos traumáticos com uma carga de grande repressão emocional e de exigência, se o seu regime de crenças e valores ou autoconceito está em conflito, alicerçado pelo sofrimento emocional; ou se até em termos fisiológicos existe um desequilíbrio dos níveis de serotonina e noradrenalina, então existe uma janela aberta para dar entrada e espaço aos pensamentos obsessivos e compulsivos.
Uma vez que a perturbação surge da esfera emocional e psicológica a Hipnose Clínica assume-se como uma alidade enquanto terapia complementar. A terapêutica promove o estado de relaxamento mental e físico, o que por si só permite reduzir os níveis de ansiedade, e ajuda na libertação natural da dopamina e serotonina, equilibrando os níveis neuro químicos de forma natural sem recurso a medicação. No seguimento, ao aceder ao subconsciente, o leitor terá a possibilidade de compreender, e dar um outro significado, às memórias e experiências traumáticas. Desta forma, é possível reorganizar o pensamento e reprogramar a mente ao eliminar ou alterar os gatilhos que alicerçam a perturbação. Esta, é também indicada de forma preventiva para os leitores que sejam diariamente desafiados por pensamentos de preocupação persistente e que, ainda, não configure uma patologia.
Em jeito de conclusão, a Hipnose Clínica pressupõe o desenvolvimento do autoconhecimento e, por conseguinte, expande a capacidade de interagir com o seu próprio eu interior de forma equilibrada e emocionalmente inteligente.
“É o sinal de uma mente educada ser capaz de entreter um pensamento sem aceitá-lo” Aristóteles
No próximo boletim de saúde poderá ler mais sobre como a Hipnose Clínica pode ajudar na Hipertensão.
Sara Morais – Hipnoterapeuta
Consultas 91 63 54 106
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Sara Morais