O ELOGIO DA PEQUENEZ
No evangelho deste Domingo, encontramos a imagem do banquete nupcial, que foi utilizada muitas vezes por Jesus. Uma imagem que nos recorda a comunhão, a alegria de estar juntos. Portanto, esta imagem recorda-nos que todos fomos convidados para estas núpcias, porque Deus assim o quis, porque pensou em todos, porque quer partilhar a sua alegria connosco. Um banquete de casamento também nos faz recordar que a alegria provém da doação, da entrega mútua de dois esposos. Na vida de casal, quem vive procurando a sua própria felicidade pessoal, dificilmente a encontrará, porque a natureza do casamento é outra. No casal, a felicidade não é pessoal e egoísta, mas mútua e doada. É assim também no Reino de Deus. Não devemos procurar os primeiros lugares, nem ter uma atitude narcisista perante a vida. A grandeza que temos de desejar é a grandeza do coração. Por isso, a primeira leitura diz-nos que quanto “mais importante fores, mais deves humilhar-te, e encontrarás graça diante do Senhor”. Deus, imensamente rico em amor e na capacidade de se doar, rebaixou-se até ao extremo, em Jesus Cristo. A cruz de Cristo recorda-nos sempre a grandeza do seu amor por todos nós. Todos conhecemos exemplos da humilde grandeza que, por serem tão rotineiros, não lhe damos a importância devida: os pais que cuidam dos seus filhos, os nossos amigos que nunca nos deixam de apoiar e de estar presentes, os que se dedicam aos mais necessitados, sacrificando, por vezes, o pouco tempo que já têm para si; podíamos dar muitos mais exemplos. A alegria e a satisfação que estas pessoas experimentam no coração, sentindo que nesta entrega recebem mais do que dão, acontece, porque participam na maneira de ser e de agir de Deus, da sua inesgotável riqueza. Com o amor oferecido gratuitamente, quanto mais se dá, mais se tem. No evangelho, Jesus diz-nos para convidarmos aqueles que não podem dar nada em troca. Recebemos muito em troca, mas de outra maneira, como pode constatar que já esteve perto dos que sofrem e lhes prestou atenção. Necessitamos de ter um coração compassivo, que privilegie os outros. Se tal não acontecer, podemos viver confortavelmente, mas sentimo-nos vazios, como mortos por dentro. Quanto mais queremos ser e ter, mais pequeno fica o nosso coração, porque deixamos menos espaço a tudo o que é entrega e generosidade. Infelizmente, a sociedade actual não envereda muito por aqui: há a preocupação de cultivar uma imagem, a procura da popularidade; tudo leva a uma forma de ser em que a humildade e a entrega são desconhecidas e pouco apreciadas. Nesta sociedade, temos de procurar e promover encontros de qualidade, cultivar relações humanas enriquecedoras, profundas; aproximarmo-nos dos que sofrem e evitar deslumbramentos das miragens da fama e do bem-estar. Jesus convida-nos a sentarmo-nos no lugar mais humilde, tal como Ele fez. Ali descobriremos o que significa ser o primeiro no Reino de Deus: viver para amar, ter um coração livre que permita ser sem necessidade de máscaras, nem de imagens pré-fabricadas. É chegar à essência do que somos, sentindo-nos amados, sem necessidade de escalar posições sociais nem reconhecimentos do mundo e dedicarmo-nos àquilo que viemos fazer nesta vida: partilhar a plenitude que já nos foi dada e já nos pertence.
31-08-2025
paroquiasagb
Leitura Espiritual
«O banquete está pronto, tudo está preparado: vinde às bodas» (Mt 22,4)
O Senhor tinha sido convidado para umas bodas. Ao observar os convivas, reparou que todos escolhiam os primeiros lugares, desejando sentar-se adiante de todos os outros e passar à frente de todos. Então, contou-lhes uma parábola (Lc 14,16ss), que, mesmo tomada no seu sentido literal, é muito útil e necessária a quantos gostam de usufruir da consideração dos outros e têm receio de ser rebaixados. Como esta história é uma parábola, possui um significado que ultrapassa o seu sentido literal. Estas bodas realizam-se diariamente na Igreja. Todos os dias o Senhor celebra bodas, todos os dias Se une às almas fiéis por ocasião do seu baptismo ou da sua passagem deste mundo para o Reino dos Céus. E nós, que recebemos a fé em Jesus Cristo e o selo do baptismo, somos convidados para estas bodas, onde foi posta uma mesa sobre a qual diz a Escritura: «Preparais-me um banquete à vista dos meus adversários» (Sl 22,5). Aí, encontramos os pães da oferenda, o vitelo gordo e o Cordeiro que tira os pecados do mundo (cf Ex 25,30; Lc 15,23; Jo 1,29); são-nos oferecidos o pão que desceu do Céu e o cálice da Nova Aliança (cf Jo 6,51; 1Cor 11,25); são-nos apresentados os evangelhos e as epístolas dos apóstolos, os livros de Moisés e dos profetas, quais alimentos extremamente deliciosos. Que mais poderíamos desejar? Porque havemos de escolher os primeiros lugares? Seja qual for o lugar que ocupemos, temos tudo em abundância e nada nos faltará. (São Bruno de Segni (c. 1045-1123), bispo, Comentário ao Evangelho de Lucas, 2, 14; PL 165, 406).
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De 31 de agosto a 07 de setembro
Unidade Pastoral das P. de Fornos de Algodres, Cortiçô, Casal Vasco, Infias, Vila Chã e Algodres
