Em comunicado da Federação da JS Guarda refere:
Portugal Continental tem sido severamente afetado, nos últimos dias, por um
conjunto de tempestades de grande intensidade, destacando-se a tempestade
Kristin, que provocou elevados níveis de destruição em vários distritos, em
particular Leiria, Coimbra e Castelo Branco.
As consequências humanas e materiais desta situação são profundas.
Registam-se vítimas mortais, dezenas de feridos, alguns em estado grave, e
inúmeras famílias privadas de bens essenciais como habitação, eletricidade,
água e comunicações. Há relatos consistentes de pessoas desalojadas,
projetos de vida interrompidos e empresários que viram os seus negócios
destruídos de um dia para o outro.
Foi decretado Estado de Calamidade pelo Governo, através de Resolução do
Conselho de Ministros, na passada quinta-feira, dia 5. No entanto, este decreto
demorou dois dias a ser tomado, um atraso difícil de compreender face à
dimensão da tragédia e à urgência das necessidades no terreno. A perceção
generalizada, particularmente no distrito de Leiria, é a de apatia, lentidão e
insuficiência na resposta do Estado.
Apesar do trabalho incansável dos operacionais da Proteção Civil, dos serviços
municipais das autarquias, dos bombeiros e do extraordinário espírito de
entreajuda das comunidades locais, os meios disponíveis revelaram-se
manifestamente insuficientes para responder à gravidade da situação. Esta
insuficiência não resulta da falta de empenho dos operacionais, mas sim da
ausência de uma coordenação eficaz, célere e estratégica por parte do Governo.
A tutela da Proteção Civil, da responsabilidade do Ministério da Administração
Interna, e em particular a atuação da respetiva Ministra, tem sido marcada por
uma postura apática e pouco interventiva. Mais grave ainda, tem-se verificado
uma clara incapacidade de agilizar e articular eficazmente as diferentes forças
de socorro, nomeadamente a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção
Civil, os Bombeiros e as Forças Armadas (Exército e Força Aérea).
Quando esta articulação falha, os meios não chegam atempadamente, as
soluções tardam e o sofrimento das populações agrava-se. O resultado é o
desespero crescente de quem se sente abandonado pelo Estado num dos
momentos mais difíceis das suas vidas.
No distrito da Guarda, embora não tenha sido decretado o Estado de
Calamidade, verificaram-se igualmente prejuízos causados pela tempestade.
Acresce ainda o sentimento de invisibilidade e desigualdade territorial.
É legítimo questionar: se estes acontecimentos tivessem ocorrido em
Lisboa, a ajuda teria sido tão demorada e marcada por tamanha falta de
organização?
Expressamos a nossa total solidariedade para com todas as vítimas destas
tempestades, em especial com as populações dos distritos mais afetados. A dor
de quem perdeu familiares, casas ou meios de subsistência é imensa e exige
uma resposta à altura.
Deixamos também um agradecimento profundo a todos os voluntários,
bombeiros, forças de proteção civil, forças armadas, profissionais de saúde e
cidadãos anónimos que, com enorme dedicação, têm estado no terreno a apoiar
quem mais precisa.
Portugal não pode aceitar a lentidão do Estado na resposta a situações de
emergência.
Todos os distritos importam. Portugal não é só Lisboa.
Federação da JS Guarda
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